Poema traduzido: Rumi

Não gosto de pensar esses textos iniciais como interpretações dos poemas. Em algum momento, conversando com alguns amigos, me dei conta desse risco. Os poemas são sempre muito mais. Mas ocorre que frequêntemente nos vemos no espelho d’água da poesia e isso nos encanta e assombra. O encanto-assombro nos impele a escrever, articular e desenvolver isso que se precipita no poema, e que de repente nos faz ver tudo de maneira diferente. Mudança que ocorre como num passe de mágica; talvez não seja atoa a antiga relação entre palavras e magia. Entretanto é preciso ressaltar que isso que vejo (e escrevo) é apenas mero reflexo da luz na superfície agitada da água, oceano, que é o poema. Eu não interpreto o poema, apenas expresso como ele me põe a falar comigo, como ele consegue me fazer de intérprete de mim mesmo.


E ele está conosco, me faz pensar em muitas analogias e coisas, mas muito pouco em religião. Penso melhor no gênio/juno ou daimon que os romanos e gregos se referiam. Aquela parte de nós que nos escapa, que se faz presente nos desejos e medos imperiosos, que nos empresta seus dotes e intuições. Pessoalmente gosto de aproxima-los àquilo que Freud, muito depois, vai chamar de inconsciente. A região que retém nossos desejos tão sinceros e profundos, que se escapassem nos apareceriam tão estranhos. Não somos nós, tão estranhos a nós mesmos?

Talvez para não nos defrontar com a alteridade interna, buscamos refúgio externo, embora seja impossível achá-lo. No entanto é este Outro que nos envia na busca, e ele procura conosco. Procuramos sinais externos que nos dêem notícia desse encontro interno. Estar de bem consigo em companhia da própria alteridade é desafio severo, mas sempre recompensador. Aonde está a face da lua? Já não mais no céu. Aquela que procuramos já se interiorizou; as imagens que vemos e projetamos fazem parte de nós. E desse modo decoramos os cômodos interiores, num preparativo de ornamentar essa estranha comunhão. Procure a si mesmo, mesmo quando exteriorizar essa pro-cura, saiba o que é que se busca.

Nosce te ipsum

“Com amor [desejo] sua voz interna encontrará uma lingua”

É bonito olhar por essa lógica a beleza da dança sufi. O movimento circular, como quem procura por todos os lados, ao mesmo tempo em que parece tentar olhar para dentro, embora sem conseguir; girando, suspenso, à deriva, nos braços Dele.

E ele está conosco

Totalmente inesperado, meu hóspede chegou

“Quem é?” inquiriu meu coração

‘A face da lua’, replicou minh’alma

Conforme ele entrava em casa,

todos corremos à rua olhando loucamente para a lua.

‘Eu estou aqui’, ele chamava de dentro.

Mas nós o chamávamos pelo lado de fora, inconscientes do seu chamado.

Nosso rouxinol bêbado está cantando no quintal,

e estamos arrulhando como pombas, ‘Onde, onde, onde?’

Uma multidão se formou: ‘Aonde está o ladrão?’

E o ladrão entre nós está dizendo

‘É, aonde está o ladrão?’


Todas as nossas vozes se misturaram em conjunto

e nenhuma voz podia mais se distinguir das demais.

e Ele está com você quer dizer que Ele está procurando com você.

Ele está mais próximo de você do que imagina. Porque olhar pra fora?

Torna-te como neve em derretimento; lava-te de ti mesmo.

Com o amor sua voz interna encontrará uma lingua

crescendo como um lírio silencioso em teu coração.

*tradução para o inglês por Kabir Helminski

Curta: Stay awake, be ready

Há muito tempo que penso em escrever sobre as delícias de ter reencontrado a plataforma de streaming MUBI durante a quarentena. Embora tenha tocado nesse tema, vou sair pela tangente com essa breve menção, para seguir em outra direção.

Citei o MUBI despretensiosamente (meia mentira) para falar melhor de um curta-metragem que recentemente assisti por lá e que senti vontade de compartilhar e escrever.

Stay awake, be ready (2019), é um curta vietnamita (dos prazeres mubianos) de 14 minutos, dirigido por HÃY TỈNH THỨC VÀ SẴN SÀNG. O curta é rodado numa única tomada, demonstrando competência técnica e contribuindo muito para sensação de imersão. O filme se passa numa rua agitada no Vietnam, mostrando uma vida noturna simples e agitada. É quase como se estivéssemos do outro lado da calçada, olhando casualmente para a rua, numa noite qualquer depois da faculdade ou do trabalho. A medida que a vida acontece, acompanha-se uma conversa comum de três amigos sobre espiritualidade. De início não é possível destacar os interlocutores do grupo de pessoas que se apresenta na imagem, o que acaba dando uma impressão ainda maior de generalidade, de quase universalidade daquilo que a câmera capta.

Quarentenado como estou, Stay awake, be ready imediatamente me fez sentir falta da pulsão visceral das ruas agitadas, da atmosfera boemia, do barulho, das vozes e conversas agitadas, das risadas, das luzes amareladas dos postes, do movimento de pessoas desconhecidas e conhecidas que se amontoam, se misturam até à indefinição. Em suma, o curta escancarou minha saudade de Botafogo, da Voluntários da Pátria, e todas as suas versões diferente-iguais, seja na Lapa, São Cristóvão ou qualquer outro lugar assim. – Que fique claro, a ordem aqui estabelecida desses lugares é arbitrária, pessoal e completamente destituída de autoridade. –

Mas afinal o que Stay awake, be ready pode nos dizer?

Vanitas! Como que numa conversa de bar, o curta nos mostra o tempo todo a potência e a fragilidade da vida. No decorrer desse papo despretensioso, ao mesmo tempo que vemos a vida, ouvimos falar da morte. No início ela se apresenta de forma estridente, depois vira rumor e conversa. Para além da agitação das pessoas acompanhamos a vida na forma do fogo, presente durante quase toda extensão do filme. O fogo passeia pela tela em diversas formas, manejado por diferentes pessoas e em diferentes lugares. A vida está nele representada na sua energia, no seu calor e brilho, mas também na sua brevidade e fragilidade. A cena final se transforma diante dos olhos num verdadeiro quadro do tipo Natureza Morta, coroando esse curta tão sincero, tão potente, tão tocante, principalmente em tempos de pandemia.

No meio de imagens tão rotineiras, mesmo ali onde nos convencemos da segurança do habitual, basta um rumor, um som estridente, um evento inesperado que tudo fica incerto, frágil. No entanto, depois disso, desse instante de incerteza, tudo forçosamente volta ao “normal”. Nenhum susto é derradeiro, final, por isso nos acalmamos numa espera não declarada até a próxima surpresa, que pode ser tão terrível quanto deliciosa. Toda vigília falha, acaba. Há uma angústia nisso, certamente há um brilho muito forte e sincero nisso. A sacralidade da vida não se perde, ainda que no cotidiano pareça ser tão banal, mesmo nessas horas triviais, e a despeito de toda sua fugacidade, ela não perde sua dignidade, divindade, intensidade e potência. A vida é um lindo lampejo que num único instante põe toda escuridão em questão.

Emperrar o botão ‘reiniciar’

Calida Rawles – Reflecting My Grace (2019)

Estou alimentando minha insônia, convencido de que uma ave fênix presa dentro de uma churrasqueira seria uma versão esquisita do mito de Sisifo. Pensemos, esse negócio de renascer tem um custo, e não é necessariamente bom. Renascer pior é como dizem por aí, “no início tava ruim, aí chegou o fim e parecia que estava no início”.

Camus imaginou o Sísifo feliz, a mim coube imaginar uma fênix triste de ter de morrer e renascer mais de 2020 vezes, aprisionada, sem poder levantar vôo. Se é o desejo pela altura que redime Sísifo, nossa ave em questão não tem redenção. Uma fênix à passarinho no seu eterno retorno alimentando o fogo com suas entranhas e acumulando cinzas. Não admira estarmos nesse vasto deserto. 

Caminhamos parados, do mesmo lugar para o mesmo lugar, onde início e fim se misturam… nossa estrada tem se transformado em esteira, estéril. Tantos recomeços e tantas promessas. Cada ano um novo projeto, cada mês alguma nova série ou temporada, cada semana uma nova versão beta, cada dia reiniciar milhares de vezes computadores, aplicativos ou celulares, que não reiniciam melhores que antes, que não nos fazem melhores do que fomos ontem. 

E isso faz pensar… tem gente que renasce tantas vezes que não da tempo de crescer.

Mais um ano periga começar, e sinceramente espero que não seja recomeço de quase nada. Ao contrário, que possa encerrar as razões delirantes de tantas mortes, subjetivas e objetivas. Setenta e cinco anos passados dos quarenta de Drummond, estamos colocando os problemas, então prossigamos à resolução, não é hora de recomeçar, mas de avançar. Portanto que não seja reinício, mas que seja continuidade e luta, resistência; criar vida aonde antes era (ou ainda é) pó e brasa. Trasformar deserto em oásis, planta por planta, manancial por manancial. 

Marona falava das pombas sujas e alegres, pois bem, mais vale ser uma pomba suja e feliz que uma fênix mítica, presa, vítima do eterno retornar às cinzas que não consegue se emancipar. Os deuses olimpicos sabiam muito bem, o infinito recomeçar é uma maldição.

Sigamos adiante, mancos e obstinados, incompletos, mas íntegros, sujos e alegres.

*Esse texto foi inicialmente produzido para a seção Lugar de Fala do mês dezembro da revista cult, cujo tema foi “renascimento”. Link para o texto publicado: https://revistacult.uol.com.br/home/emperrar-o-botao-reiniciar/

Feliz 2021. Sem recomeços.

O Barba Ruiva de Akira Kurosawa

O Barba Ruiva (1965) Akira Kurosawa

A ciência médica não pode tudo, muitas doenças simplesmente não tem cura, só podemos lutar contra a pobreza e a ignorância. Essa frase dita pelo Dr. Niide em seu primeiro monólogo ecoa ao longo de todo o filme.

O Barba Ruiva (1965) toca em muitos assuntos, como a importância de um sistema universal de saúde, mas sua principal vocação é a de tocar a sensibilidade. É através dela que todo o resto será tocado. Enquanto houver vida poderemos nos sensibilizar, apenas o corpo sem vida não pode mais, e então se decompõe.

É nesse sentido que se enquadra a luta pela vida na clínica do Dr. Niide, o Barba Ruiva. O corpo não se separa dos sentimentos e memórias dos pacientes, não pode ser tratado a despeito deles. Sob essa ótica não é de se surpreender que o primeiro paciente a ser tratado seja justamente um médico jovem e arrogante.

Os laudos médicos perdem espaço para as histórias dos doentes, o consultório perde espaço pra outros lugares; o corredor, a cozinha, o prostíbulo, o quarto, a rua e etc. O médico que vai ao encontro dos pacientes mais necessitados, que trata com o bisturi, com as palavras e com os sentimentos. No decorrer do filme, Akira parece querer dizer que na hora derradeira todos os remédios são impotentes e que compartilhar nossa narrativa é a única forma de conferir dignidade à vida. Como o Barba Ruiva mesmo diz, o fim da vida de uma pessoa é o seu momento mais solene. Talvez por que seja a maior e última oportunidade de se dizer tudo a que veio. As últimas palavras parecem prometer a revelação do segredo de toda uma vida, de todas as vidas. Parecem fazer parte de um ritual tão antigo quanto a própria morte, como a passagem de um bastão. Por isso não basta narrar, é preciso que haja o interlocutor, olhos e ouvidos que testemunhem na vida de outrem o seu sentido possível. Assim, dignifica-se a vida humana, um resgate de pelos menos duas vias. É assim que o médico que cura também é curado.

A imagem retirada do filme é também carregada de simbolismos e representa um momento mágico. Um ladrãozinho que rouba para não morrer de fome, se apaixona por uma menina violentada, que mendiga para para poder pagar uma dívida de afeto. Entre eles um mar de cobertores de doentes e moribundos onde, Chobo, o ladrãozinho, parece ter encontrado um espaço, mesmo que pequeno, para sorrir e, quem sabe, se apaixonar. Ambos tão jovens, atores e sujeitos de crimes e injustiças que não sabem de si. Testemunhando isso estão o jovem médico e a cozinheira, ele mostrando a ela que as vezes por trás de alguns crimes, existem outros muito maiores. Como por exemplo, a sede de justiça que não considera os famintos e que sobrecarrega os exaustos.

O acolhimento é o único remédio. A narrativa compartilhada nossa dignidade, redenção e salvação. A insensibilidade é a pior doença, curável desde que se queira estar vivo.

O Barba Ruiva (1965) – Akira Kurosawa

Poema Traduzido: Instruções

Neil Gaiman

Neil Gaiman

Neil Gaiman parece ter feito de seu poema Instructions um efetivo guia. A pergunta que surge é, instruções para quê? Gaiman é um autor de livros de ficção e fantasia, e talvez um dos elementos mais recorrentes em suas obras seja o medo. Autor de obras como Caroline e Sandman, ele parece dar-nos instruções para fazer o que ele fez em sua trajetória; olhar para o medo com especial reverência, um misto de respeito, temor e admiração.

Pense nisso por um instante, reverenciar o medo…

Medo e aventura estiveram sempre bem próximos, imagine o medo dos astronautas ou dos navegadores. Melhor ainda, lembre do medo do primeiro dia de escola, do primeiro amor e do primeiro beijo. Essa aproximação entre medo e aventura está conectada ao longo de todo poema. Mais do que isso, conexão entre medo e aventura é existencial. Nós somos todos apresentados ao medo quase que ao mesmo tempo em que descobrimos o mundo. Não é a vida a aventura original? E quão fundamental é o sentir medo nessa experiência? O medo talvez seja nossa memória mais antiga. Tomando a experiência do parto como prólogo da nossa existência, o choro que o segue parece ser forte indício comprovatório dessa tese. O início da nossa aventura existencial, potencialmente o motivo de muita espera e felicidade para os pais, é inaugurada pelo medo da parte de quem nasce. Nascemos com medo.

Assim sendo, as instruções de Gaiman são bastante valiosas, pois o medo não é apenas inaugural, é também uma experiência recorrente ao longo de toda vida. Não é mera abstração, sentimos no próprio corpo de tão intenso que é. Porém, há nas instruções uma mensagem persistente; insista, vá adiante, não rejeite o medo. Gaiman é prova viva de como medo e fantasia andam lado-a-lado. Isso porque sua intensidade parece ser quase que mágica. Medo, imaginação e mistério são bem próximos. Quantas vezes juramos ter visto um vulto no escuro, nos sentimos vigiados ou outras coisas de gênero? Também pode ser fonte de prazer. Não é gostoso vencer um medo, desvendar um mistério, assustar alguém? Não poucas vezes o medo nos ensina aquilo que é importante para nós. Ele pode nos impulsionar ou redirecionar. Ele nos aproxima de pessoas, porque juntos nos sentimos mais seguros. Quantas pessoas especiais descobrimos nos piores momentos? Não são os  perrengues assunto recorrente na mesa de bar? Quantas risadas damos juntos depois de tudo? O quanto de vida um friozinho na barriga desperta? E mesmo os medos mais radicais, aqueles difíceis de contornar, ao menos nos mostram os caminhos que devem ser encerrados, para que outros possam ser trilhados. Como diz Gaiman no poema, não há vergonha em dar meia volta. Nos tornamos melhores enfrentando nossos medos, mas para enfrenta-los, devemos antes reconhece-los. Ele nos ensina também compaixão, quando somos generosos com aqueles que antes nos despertavam medo. Assim, enfrentar o medo também é enfrentar preconceitos, pois esses são construídos através daqueles.

Lembre, no final, fazemos de tudo para criar nosso espaço, nosso lugar no mundo… nossa casa. E casa é justamente o lugar que construímos para nos proteger dos medos. Assim, se o lar é aonde nos sentimos seguros, o medo acaba se tornando uma estranha fonte de engenho.

Respeite seu medo, ele é terrível e mágico, como qualquer bom conto de fadas.

música para acompanhar:

The Bard’s song – Blind Guardian

Felagund Among Bëor's Men, by Ted Nasmith
Felagund Among Bëor’s Men, by Ted Nasmith

Instruções

Toque o portão de madeira na parede que você nunca

tinha visto antes.

Diga “por favor” antes de abrir a trava,

atravesse,

percorra o caminho.

Um rubro diabinho metálico pendura-se na verde

porta da frente,

uma aldrava,

não toque-a, ela irá morder seus dedos.

Ande pela casa. Não pegue nada. Não coma nada.

No entanto, se alguma criatura te disser que está faminta,

alimente-a.

Se te disser que está suja,

lavia-a.

Se choramingar dizendo que dói,

se você puder,

amenize sua dor.

Dos fundos do jardim você poderá ver

o bosque selvagem.

O poço profundo que seus passos atravessam levam ao

Reino Invernal;

há uma outra terra no fundo dele.

Se você der meia volta aqui,

ainda poderá regressar, em segurança;

você não perderá credibilidade. Meu apreço por você não será reduzido.

Uma vez atravessado o jardim você estará no

bosque.

As árvores são antigas. Olhos espiam

da vegetação rasteira.

Abaixo do carvalho retorcido senta-se uma velha senhora. Ela

pode pedir algo;

dê o que lhe for pedido. Ela

indicará o caminho ao castelo.

Dentro dele estão três princesas.

Não confie na mais nova. Continue os passos.

Na clareira além do castelo os doze

meses sentam-se ao redor da fogueira,

aquecendo seus pés, trocando fábulas.

Eles podem fazer favores, se você for educado.

Você pode pegar morangos na geada de Dezembro.

Confie nos lobos, mas não lhes diga

seu destino.

O rio pode ser atravessado por barca. O barqueiro

te levará.

(a resposta a pergunta dele é:

se ele entregar seu remo ao passageiro, ele estará livre

para deixar o barco.

Apenas lhe diga isso a uma distância segura.)

Se uma águia lhe der uma pena, guarde-a a salvo.

Lembre: que gigantes dormem profundamente; que

bruxas são frequentemente traídas pelo próprio apetite;

dragões têm um ponto desprotegido, em algum lufar, sempre;

corações podem ser bem escondidos,

e você os trai com sua lingua.

Não se enciume de sua irmã.

Saiba que diamantes e rosas

são tão desconfortáveis quando tombam

dos lábios de alguém quanto sapos ou rãs:

gelados, também, e afiados, eles cortam.

Lembre de seu nome.

não perca a esperança – aquilo que se busca será encontrado.

Confie nos fantasmas. Confie naqueles que você ajudou

para que ajudem você de volta.

Confie nos sonhos.

Confie no seu coração, e confie na sua história.

Quando você voltar, retorne pelo caminho que veio.

Favores serão retribuídos, dívidas serão quitadas.

Não esqueça seus modos.

Não olhe para trás.

Monte a águia sábia (você não cairá).

Monte o peixe prateado (você não se afogará).

Monte o grande lobo (segure firme em seu pelo).

Há um verme no coração da torre; é por isso

que não ela não se sustentará.

Quando você alcançar a pequena casa, o lugar

em que sua jornada começou,

você irá reconhece-la, mesmo que pareça

muito menor do que você lembrava.

Siga seu caminho, pelo portão do jardim

que você nunca tinha visto, exceto uma vez.

E então vá para casa. Ou faça uma casa.

E descanse.